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O final de ano sempre é aguardado pelas famílias com muitos membros espalhados pelo território brasileiro, pois, são nas festas de final de ano que muitos primos se conhecem, irmãos e irmãs se revêem e está dado a largada para um momento familiar muito agradável.

Mas também é um período em que muitos jovens solteiros (ou não) resolvem conhecer lugares diferentes, viajar em grupo de amigos, excursões, acampamentos e vigílias (para os religiosos).

Entretanto, nos momentos que antecedem tais momentos podemos cair no erro do ‘perfeccionismo de final de ano’, meu caro leitor provavelmente já ouviu falar de depressão de final de ano e o perfeccionismo é algo parecido. Geralmente as pessoas que possuem por hábito buscar a perfeição por todo custo sofrem com pensamentos de incapacidade. Pessoas que não se acham bonitas fazem regimes horrorosos e nem sempre saudáveis para agradar aos outros, especialmente ao parceiro amoroso, mas, também tem aquelas que lutam contra rótulos obtidos durante o ano na convivência social e familiar.

Em toda turma tem aquele que é o quietinho, se este tiver consciência de seus limites e limitações, como vimos em artigos anteriores, por mais incomodado que fique com as brincadeiras saberá lidar com estas. O problema está quando se resolve provar algo que não é: pode se aventurar a beber mais do que costume, participar de racha para provar que dirige melhor, beijar vários homens em uma noite badalada para provar que não é a ‘filhinha do papai’ e tantas outras coisas.

Temos que ter consciência daquilo que realmente somos e vermos o lado bom e reconhecer nossas qualidades que são bem maiores do que os ‘defeitos’ que os outros nos impõe. O quietinho da turma com certeza é o mais observador e pode cuidar dos detalhes da festa ou da viagem, a ‘filhinha do papai’ pode aproveitar uma noite badalada na presença de amigos e não acordar no dia seguinte com pensamentos de frustração e decepção pelos seus atos e assim cada um que se sente julgado.

Vivemos em uma sociedade atual que dita regras e costumes globalizados (uma paulista pode usar um brinco feito em Maceió e um amazonense pode usar uma calça da 25 de Março e todos podemos comer um açaí e tomar um chimarrão) mas estes não podem se tornar universais. Parece um clichê, mas, cada ser humano é único, na sua cultura, na sua educação, na sua regra moral e ética que constitui a sua personalidade. E devemos valorizar a individualidade assim como reconhecer as qualidades de cada pessoa que são incomparáveis e insubstituíves.

O que não é uma boa idéia para nós pode ser a oportunidade de vida para o outro e isso modificar a vida dele e de outros ao redor. Vejamos alguns exemplos:

· No século 16, um comandante de navio holandês usou o calor para concentrar o vinho, de modo a torná-lo mais fácil de transportar, com o propósito de acrescentar água à bebida no destino final. Resultado: descobriu-se que vinho concentrado é melhor do que vinho diluído.

· Em 1844 um amigo do dentista Horace Wells brincando com o óxido nitroso – conhecido também por gás hilariante- acabou exagerando e cortou a perna. Resultado: ao perceber que o amigo não se machucara descobriu que o óxido nitroso era um excelente anestésico e um dos primeiros utilizados em medicina.

· Em 1870, Thomas Adams desanimado por não conseguir substituir a borracha utilizando o chicle (seiva de uma árvore da América do Sul) jogou um pedaço na boca e gostou. Resultado: o chiclete Adams se tornou a primeira goma de mascar do mundo.

Dá para imaginar o quanto o comandante do navio holandês possa ter sido literalmente xingado pelos demais que achavam que o vinho iria estragar? E o dentista que talvez foi um dos poucos que não se desesperaram com a perna cortada do amigo e com ‘sangue frio’ revolucionou a medicina anestésica? E o que falar de Thomas Adams?

Enfim, cada um é cada um e temos que respeitar o ‘jeitinho de ser’ de cada amigo e familiar e não nos deixarmos sermos globalizados no sentido de nos tornamos universais (iguais a todos). E eu, particularmente, sou muito grata a minha amiga ‘sangue frio’ que nunca chora em cinema, acha bobo ficar olhando para o lago do Parque do Ibirapuera (SP) e reconhecidamente uma anti-romântica em qualquer festa, mas, graças a ela, após um acidente automobilístico eu e outra amiga fomos rapidamente socorridas – inicialmente por ela- que mesmo machucada não se importou com o pouco de sangue que escorria de sua perna e ajudou-nos a ficar calmas até a chegada do socorro especializado.


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