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A maior parte dos Brasileiros, quando questionados a respeito dos Estados Unidos, irão citar lugares como Nova Iorque, Miami, Florida, Los Angeles, etc, ou seja, as grandes cidades. Poucos Brasileiros terão qualquer conhecimento a respeito de cidades pequenas, interioranas, reservas naturais e até mesmo índios americanos. Sim, os Estados Unidos tem tanta beleza natural e cultural desconhecida, que este artigo certamente trará surpresas.

O caminho para a reserva nacional dos índios Cherokees é uma estrada alfastada, ampla e com asfalto impecável, como a maioria das estradas americanas. A paisagem ao redor são de grandes árvores e pinheiros, o que nos dá a impressão de estarmos já dentro de uma floresta. Esta paisagem, por sinal, domina todo o Estado do Tennessee.  (aproveitamos um dos pontos de paradas na estrada, para admirar a paisagem e documentar em fotos.).

A estrada sobe e desce montanhas, e como nas descidas grandes caminhões podem esquentar demais as pastilhas de freios e perder o controle, há nas laterais da estrada diversos “pedaços de estrada” cobertas de areia, para que o caminhão pare naturalmente, caso perca seus freios.

Escolhemos esta data, 22 de setembro 2012, porque neste fim de semana há um encontro entre diferentes tribos indígenas, com competições e demonstrações culturais. Assim, além da cobertura do lugar e cultura, podemos também cobrir um evento anual.

A reserva indígena conta com dezenas de lojas de souveenirs, e um “centro da cidade” com museu, hoteis (de médio porte, mas com quartos confortáveis e bem estruturados, com ar condicionado, banheira com água quente, TV grande, internet, e uma piscina de 15 metros e ao lado da piscina uma piscina de água quente com hidromassagem. A vida dos índios mudou drasticamente quando abriam as portas ao turismo.

Uma das coisas que nos lembra o Brasil é o conhecido “jeitinho brasileiro”para burlar as leis. No Tennessee é proibida a venda de tartarugas aquáticas, mas você pode compra-las por US 9,95 (aprox vinte reais) na reserva Cherokee. Como? Fácil.  A lei diz que não pode vender, mas não proibe a criação e até mesmo a doações dos animais. Desta forma, os índios “vendem a caixinha de acrílico”” e “dão” a tartatuguinha pra você.

Além disso, algumas leis do Estado não se aplicam lá, por tratar-se de uma reserva indígena. Sendo assim, os cassinos, que são proibidos no Tennessee e na maioria dos Estados vizinhos, podem operar livremente dentro da reserva dos índios, tornando-se então mais uma atração turística do local.

No local do encontro das tribos é possível adquirir diferentes objetos típicos, como obras de arte em pedras, roupas e utensílios de couro, e armas de guerra como fechas, machadinhas, lanças, zarabatanas, e facas, feitas em madeira e pedra. É possível notar uma grande diferença entre as tribos e clans, pelos produtos que vendem, e pelas roupas que vestem, bem como, é claro, pela pintura do corpo.

Alguns índios fazem demonstrações de como preparam seus alimentos, e utilizam suas armas. Há também moradores das montanhas, não índios, mas que vivem sem eletricidade ou água encanada. O idioma e as letras que as tribos utilizam no dia a dia, são incompreenssíveis para nós. Algumas letras nos recordam do alfabeto grego, mas não há similaridade na pronúncia. A caça local consiste de pequenos animais, como coelhos, mas também animais de grande porte, como veados e ursos. Mas atualmente, além de colherem frutas e raizes silvestres, também plantam, principalmente o milho.

As danças de todas as tribos são similares, alterando um pouco o ritmo e alguas vezes usando chocalhos amarrados à pernas das mulheres. Mas todas consistem em caminhar, a passos fortes, em círculo, em geral ao redor de uma fogueira. É comum que de repente um ou outro índio solte um grito. Animada mesmo é a dança em que os homens, um de cada vez, sai de seu lugar na roda e vai “roubar” a mulher do outro, retornando com ela ao lugar onde estava. Nos lembra muito um passo de quadrilhas juninas no Brasil.

Uma atração à parte é a vista das montanhas. É de cima que temos noção do que realmente se trata a reserva florestal Cherokee. Montanhas e floresta até onde a vista alcança. O ar frio (e se tiver sorte, sem vento), e seco, logo faz efeito nas narinas de quem não está acostomado com o clima, dando uma ligeira sensação de ardor.

Há diversos locais apropriados para parar o carro, curtir a vista, e até mesmo praparar um churrasquinho. As estruturas são completas, e disponiveis gratuitamente:  mesas, churrasqueiras, mapas, e banheiros (nos EUA banheiros públicos costumam ser limpos e cheirosos como banheiros de shopping…  infelizmente, os da reserva indígena pareciam banheiros públicos de mercados brasileiros…).

No fim de semana de nossa visita aconteceram dois eventos incomuns, que também marcaram nossa visita.  Uma reunião de motocicletas estilo Halley Davson lotou as ruas da reserva e cidades vizinhas de motocicletas. Apesar delas serem bastante comuns no nosso dia a dia, a quantidade realmente impressionou.

Chegou aos nossos ouvidos que os membros e a alta liderança da seita White Supreme (que se vestem de brancos, com um chameu em forma de cone) estaria se reunindo em algum local das montanhas, o que nos preocupou um pouco, mas nada realmente aconteceu. (para quem não sabe, a seita é extremamente racista, e expulsam e até matam quem se recusar a partir, que não seja o que eles chamam de “puros”..  branco de olhos azuis).

Em suma, a reserva Cherokee é um lugar mágico, com belezas naturais, muita cultura, e algumas atrações. Mas também é um lugar onde você poderá fazer tudo em dois dias, e uma vez que já tenha ido, não verá nada diferente nas próximas vezes.


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