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De repente, eu vi uma manchete num jornal dizendo que um  livro de autoajuda liderou vendas no Brasil  em 2018.

Fui ver o título: “A Sutil Arte de Ligar o Foda-se” Uma estratégia inusitada para uma vida melhor, de Mark Manson. Imediatamente pensei: “se o autor fosse brasileiro o resultado da pesquisa seria o mesmo?” Bem, essa pergunta é motivo de textão para qualquer resposta. Se alguém escrevesse uma resposta de cinco páginas, eu me sentiria incentivado a ler.

Ao longo de 20 anos, eu devo ter lido mais livros de autoajuda que muitos estudantes de Filosofia por essas bandas. Como diria o historiador Leandro Karnal, um crítico ferrenho do pensamento mágico,eu ajudei ,bastante, diversos autores de autoajuda comprando seus livros. Colaborei com as férias sensacionais de muitos deles.

Alguma coisa contra o gênero, poderiam me perguntar. Em hipótese alguma. O brasileiro se revela apaixonado por autoajuda. Certamente, é o mercado predileto de autores desse gênero. Alguém aí se lembra do Lauro Trevisan? Vivíssimo até hoje e autor de diversos livros desse gênero. Por exemplo: “O Poder Infinito da Sua Mente” passou do milhão de cópias quando ninguém imaginava a cacarejante e totalitária presença da Internet em nossas vidas. Portanto, um dos casos de “selfcare” a serem estudados por uma equipe de céticos com doutorado.

Outro autor que me vem à memória: o Dr. Joseph Murphy. Eu mandei ($$$) vir de São Paulo um box com uma dúzia de seus livros. Todos eles em capa dura, azul e titulos dourados. Um espetáculo. Corriam os mágicos anos 80. Todos queriam desmistificar o sucesso financeiro do Dr.Murphy. A seguir, eu fui me especializando no gênero. Louise Hay, por exemplo, faleceu há pouco tempo deixando uma fortuna espantosa. Tony Hobbins, o guru dos milionários e, segundo ele, dos fracassados também. Em suas palestras ele faz muitos se emocionarem com  a história da sua  própria vida ameaçada pela miséria em outros tempos. Atualmente,ninguém sabe  quantos dígitos compõem  sua fortuna pessoal. Uma coisa é certa: num dos seus livros lido por mim há anos, há uma charge que nunca consegui esquecer. Uma ovelha mais exaltada, ousada e corajosa vira-se para as outras ovelhas, tímidas e acovardadas, e solta a pergunta: “Por que temos que ser só ovelhas?” Ao ver essa charge, eu me senti tipo o pai do Manifesto Comunista ou Adam Smith após seu livro mais célebre. Eu estava pronto para sair e enfrentar todos os safados  de  Gotham City e Metropolis de uma só vez.

Caso eu fique rememorando todos os livros que li, nesse gênero,  e detalhes curiosos sobre cada um deles, passaremos de 10 páginas de texto brincando. Voltemos à manchete. No mês de outubro estive numa livraria de Shopping. Nos expositores, eu vi o referido livro. Imediatamente pensei: o título está diretamente afinado com as tags youtubianas. Se   não  vender vai , no mínimo, provocar o surgimento de textões. Um detalhe básico, no mesmo dia, eu adquiri “21 lições para o século XXI”, de Yuval Noah Harari. Curiosamente, não se trata de autoajuda, mas se o leitor quiser fica sendo.


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